Escrever, seja você Eça de Queirós ou o Zé-da-rua-de-baixo, tem sempre algumas preparações. Não se trata de ser neurótico, mas se um texto for devidamente valorizado pelo seu autor, decerto que este vai querer passar para o papel um pouco de si mesmo.
E todo texto gerado por um indivíduo atento a detalhes carregará, além de suas particularidades, um processo que pode ir além do caderno barato e sua caneta popular postos à mesa limpa.
Sim, foi-se o tempo em que o conforto do escritor era a disponibilidade de materiais de trabalho e um feixe de luz. Para muitos parece mais um indício de TOC, mas não para aquele que está por trás das palavras a serem redigidas.
Isso me lembra o filme Louca Obsessão, com James Caan e Kathy Bates. Quando o escritor sequestrado pela fã insana finaliza seu livro, exige um cigarro e um vinho de marca específica. Não são apenas as estrelas do rock que fazem suas solicitações, no final das contas.
Buscar inspiração também já era. É mito. A realidade de quem escreve são dezenas de ideias vindo à tona bem quando você está longe de qualquer coisa em que se possa registrar alguns pensamentos. Antes de dormir e ao tomar banho são alguns dos momentos mais suscetíveis. E é aí que nossa mente fervilha com frases soltas, que se resguardam até a primeira chance de parar e finalmente redigir.
Com tanta ânsia de produzir seu texto, podem surgir as manias, como forma de "prêmio" ou simplesmente para te aconchegar, pois após (ou até mesmo durante) projetar suas palavras, você quer um pouco de tranquilidade e elementos familiares no quarto em que se escreve, para sorver algumas sensações decentes.
Talvez você se sinta bem tendo como costume sempre escrever tomando algum chá exótico ou usar sempre aquela tal caneta ou até mesmo se dar ao luxo de dormir depois que terminar, para encerrar seu dia com decoro e relaxamento. Você pode ser um escritor boêmio, que adora a madrugada para raciocinar ou pode então apreciar o sabor da manhã precoce e o sol que nunca é igual em outro horário. É normal também que você só sente em uma cadeira, escreva e pronto. Tendo se identificado com o que eu disse ou não, o importante é que dar vida a um texto depende, acima de tudo, do que flui dentro de si. Afinal o mais relevante, apesar de tudo, é o conteúdo.
1 comentários:
UUUUHUUUU!
adorei!
e provavelmente sou o escritor zé-da-rua-de-baixo
kkkkkkk
Postar um comentário