sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Semana cultural ou dia cultural?

Sou daqueles que gostam de proliferar coisa boa para a cabeça. Cultura, ideias novas, opiniões, críticas... É por isso que hoje vim aqui para criticar algumas pessoas. Muitas em geral, algumas em particular.

Eu e minha amiga Mariana, baseados na ideia de organizar um sarau na escola, acabamos desenvolvendo uma semana cultural. Dividiríamos as salas em continentes, focando temas como literatura, teatro, dança, música e qualquer coisa que pudesse explorar o interesse criativo de cada aluno, pois eu acredito que todos nós temos algo de especial, muitas vezes encoberto por diversas razões.

Semana cultural, portanto, seria um evento escolar feito para destacar não somente a cultura, mas também para remover o ócio e a alienação dos estudantes e, principalmente, extinguir a estagnação destes, em relação ao conhecimento e à informação, muitas vezes empobrecidos pelo tempo pessoal utilizado de forma banal.

A coordenadora aprovou, apresentamos aos professores, cuja maioria aceitou e apreciou a ideia, que seria obrigatória e valeria nota, porque não importa o que se diga sobre a importância da cultura nas classes, no final essas coisas acabam sendo razão para não participar de nada e ficar em casa acessando sites de relacionamento. Valendo nota, quem vai fazer essa besteira?

Admito desde já que algumas das sugestões do grupo de alunos que coordenou conosco o projeto me pareceram ridículas. São, no mínimo, algo que eu jamais chamaria de cultura. Uma sala com o tema Las Vegas é cultura para se apresentar em uma escola? Libertinagem, que boa parte dos alunos já divulgou faz um tempo, e jogatina.

Inscrições abertas para as apresentações, estávamos preparados para botar a mão na massa e fiquei sabendo de surpresa que a diretora permitiu que façamos um evento de apenas um dia, que no início era de uma semana e depois passou para três dias (um período adequado e suficiente para o objetivo do projeto). Possível, porém inviável se enxergarmos a proporção de atividades oferecidas.

Eu não conheço bem a diretora da nossa escola. Demorou uns anos para eu lembrar permanentemente do nome dela: sra. Célia. Do pouco que presenciei, pude tirar notáveis conclusões das atitudes dela, por mais que um aluno deva respeito a todas as autoridades. Contudo, este respeito foi em parte e indiretamente tirado de mim quando ela rebaixou a importância da Semana Cultural. Os demais alunos não sei, mas eu superestimei essa semana, me animei muito, pensando que quebraríamos um pouco os paradigmas estudantis e elevaríamos o nível de estudos.

Faltam dois meses para eu cair fora da escola, coisa que não me agrada, mas que prova como meu interesse pela famigerada Semana Cultural não é superficial, tampouco provido de segundas intenções, como ganhar notas facilmente. E é aí que eu compreendo o medo da sra. Célia em tolerar um evento de proporções maiores que o normal para nossa escola. É o medo de dar nota de graça aos alunos. Se for esse o motivo, fica claro como a visão dela sobre o que é cultura e o que é ensino também estão deturpados.

As notas são um símbolo que representará a cuidadosa avaliação dos professores, não um ponto aqui e outro ali. Dar pontos de forma mecânica é manter a alienação, mas enxergar os estudantes como seres humanos pensantes é uma maneira extremamente proveitosa de propagar a inteligência.

Eu gostaria muito que ela soubesse tudo isso que penso, porque eu não a detesto, só me frustra o modo dela encarar a situação. É necessário arriscar para obter bons resultados. Se por acaso ela ler isso e continuar pensando da mesma forma, a Semana Cultural continuará, infelizmente com um único dia, mas continuará e tentarei, como estudante, de todos os métodos para provar como isso é relevante para acrescer consciência aos alunos.

E se não acontecer como o esperado, eu sei que o esforço dos professores, alguns em especial, fará a diferença como sempre fez.

5 comentários:

Mariana R.G. disse...

Sei que você não vai desistir e vai lutar até o fim para que a Semana Cultural aconteça, mas como aluna e extremista (sim, ás vezes), acho que não devemos implorar e nem abaixar a cabeça. A proposta foi feita pelos três dias, durante a manhã. Depois, três dias e três períodos (exploração).
Agora... Bom, agora avacalhou! Depois de recebermos inscrições, separarmos os grupos e tudo mais... Um balde de água gelada: um dia para todas as atividades.
Sou da opinião que devemos explicar a situação e fica a critério dela aceitar ou não os três dias. Caso ela não aceite, paciência!
O problema do Carusi é que a sra. Diretora muda o funcionamento da escola por quem usa maconha, mas não muda para a Semana Cultural. Valores invertidos?

Caio Paranhos disse...

Cai na real, a sua diretora não vai ler isso a não ser que tenha uma certa repercussão. Eu aprendi que pra mudar (ou pelo menos tentar) eu preciso me mexer e dizer o que eu penso sempre e enfrentar o que for necessário. Se você quer os três dias, mobilize-se, mobilize colegas e professores, converse com a diretora. Nada como o diálogo numa situação como essa. Você tem que dizer o que pensa pra quem precisa ouvir, ou acha que alguém vai ler seus pensamentos?
Eu não estudo na sua escola e não tenho uma noção profunda dessa semana(dia?) cultural e nem da forma como vocês a encaram. Na minha escola eles fazem essas veadagens sempre, esse ano já teve uma feira científica e agora vai ter um festival literário. Pela experiência que eu tenho com esse tipo de trabalho não crio grandes expectativas, apenas me esforço e faço meus trabalhos como sempre faço: dou meu máximo. O retorno são aplausos.
Seja aplaudido também, faça o que tem que ser feito.
E dá uma passada lá no meu blog, eu postei um vídeo que é o nosso trabalho principal para a Feira Literária. Ou essa semana cultural tá tirando até o seu tempo pros amigos?
Um abraço, a gente se esbarra.

Humbaz disse...

Caio - Valeu por comentar. Eu concordo com você, tem que se mobilizar e dialogar mesmo. E tenho tempo para os amigos, relaxa. Essa semana tô fazendo vestibulares aí, mas tô na marola mesmo assim o_o A gente se esbarra xD

Baby - Implorar nunca, jogar na cara da cretin... dona Célia que ela se preocupa mais com seus sapatos e a proibição de bonés, SIM! Portanto, quando um aluno aparece tentando melhorar a porra da escola, é sinal que ele vale mais que o sapato dela (que nem deve ser de marca famosa) e merece devido espaço. É até dever dela permitir os três dias. Valeu pelo comentário.

o intruso disse...

talvez se fosse a semana dos sapatos...
ou dia do orgasmo (que na verdade já existe)...
ela aprovaria MESMO...
pior que se ela ler isso vou preso..
então vamos todos fingir que é brincadeira..
certo?
rsrsrs
no fim...
não terá nada..
infelizmente...
mas no fim não é só da diretora..
também acho que a maioria dos alunos nem se importava com o evento...
fazer o que...

Humbaz disse...

Verdade, Felipe, o povo é muito vagal, nem tínhamos grandes colaborações.